Ex-primeira-dama relata desentendimento com o filho de Jair Bolsonaro por causa de alianças políticas e sugere que não vai apolá-lo; PL tem desempenho ruim entre mulheres
O atrito está relacionado a um evento no Ceará, no fim de 2025, quando Michelle criticou publicamente as negociações do PL para fechar palanque com Ciro Gomes (PSDB).
“Uma apunhalada. E é nesse momento que entra na história o meu enteado Flávio. Vê o que estavam fazendo no Ceará contra um candidato leal e contra uma mulher fiel, ambos da direita, foi ruim. Mas o que aconteceu quando voltei para Brasília foi muito pior”, disse Michelle.
No vídeo, Michelle descreveu uma ligação de Flávio depois da crítica pública dela ao apoio a Ciro. “Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante”, afirmou a ex-primeira-dama.
Michelle também reagiu aos posicionamentos que Flávio teve depois do ocorrido. “Vi as postagens do Flávio contra mim no Instagram. Palavras duras, tom agressivo defendendo o André Fernandes (PL-CE) e, em consequência, apoiando o homem que chamou ele, a mãe e seus irmãos de corruptos e de ovos de serpentes nazistóides”, disse Michelle. Fernandes é presidente do PL no Ceará e apoiou o acordo com Ciro.
rompimento
A ex-primeira-dama afirmou que os outros filhos de Jair Bolsonaro tiveram posicionamentos semelhantes aos de Flávio, o que, segundo ela, pareceu algo “premeditado”. Michelle disse ter se recolhido depois do telefonema e afirmou que ela e Flávio não se falam desde então.
“Para ele e alguns que o cercam, eu não entendo de política. Tudo bem, eu me recolhi. E desde esse dia, ele não me procurou mais. Eu também não procurei, porque estou respeitando o que ele falou e é só isso”, afirmou Michelle no vídeo.
Apesar do silêncio entre os 2, a ex-primeira-dama revelou que Flávio frequenta sua casa regularmente. “Flávio vai à minha casa toda semana, mais de uma vez. Se ele realmente quisesse falar comigo, já teria falado”, disse Michelle.
Sobre a aliança com Ciro Gomes no Ceará, Michelle reiterou sua oposição, mas disse não exigir o rompimento imediato do acordo. Para ela, Ciro foi o principal responsável “pelo processo que levou à inelegibilidade do meu marido”. A ex-primeira-dama defendeu que qualquer aproximação com o ex-governador deveria ser feita apenas no 2º turno.
“Não estou exigindo que se desfaça nenhuma aliança no Ceará, mas que adiem para o segundo turno. Eu sou contra ela, mas essa é apenas a minha convicção. Se a direita quer se unir para derrotar o PT, tudo bem”, afirmou. “Mas a coerência obriga que isso aconteça apenas no segundo turno. É preciso dar chance ao candidato que verdadeiramente se enquadra e defende os nossos valores”.
APOIO FEMININO
O atrito recai sobre Flávio, uma vez que Michelle lidera o PL Mulher no Brasil e o pré-candidato ao Planalto tem desempenho ruim entre mulheres.
“Eu sou presidente nacional do PL Mulher. Fui convidada pelo meu marido e pelo presidente Waldemar. Eu percorri o Brasil inteiro Instalei diretórios em todas as 27 unidades da federação. Ajudei a eleger 1.005 mulheres em 2024, um aumento de 45,8% em relação a 2020”, disse a ex-primeira-dama.
As pesquisas mais recentes de intenção de voto das maiores empresas do Brasil mostram que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem amplo apoio entre as mulheres. O segmento representa 52,8% do eleitorado, o equivalente a 83,93 milhões de pessoas até maio de 2026.
O grupo passou a ser considerado estratégico pelos pré-candidatos, que buscam ampliar sua presença junto ao público feminino.
a assessoria do PL e de Flávio Bolsonaro por meio de aplicativo de mensagem para perguntar se gostariam de se manifestar a respeito das afirmações de Michelle Bolsonaro. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
Em live no YouTube, Flávio comentou o caso. “Hoje dia de jogo, nada nem ninguém me aborrece. Vamos tratar aqui de coisa boa, tratar aqui de futebol, porque o nosso Brasil aí a gente vai conseguir resgatar junto. Tem certeza disso que é projeto de Deus”, declarou.
‘Nada, nem ninguém me aborrece’, diz Flávio após Michelle falar que foi humilhada
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta quarta-feira, 24, que “nada nem ninguém” o aborrece. A declaração foi dada após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro relatar ter sido humilhada pelo pré-candidato à Presidência.
A tranquilidade de Flávio seria por conta do jogo do Brasil pela Copa do Mundo. A fala ocorreu durante transmissão ao vivo pré-jogo.
Na live, Flávio apareceu ao lado da esposa Fernanda Bolsonaro e usou uma máscara com o rosto do jogador Neymar Jr. O parlamentar, então, afirmou que pretendia adotar uma frequência regular de transmissões ao vivo. O senador disse ainda que se sente “mais confiante” e “mais preparado” para a pré-candidatura à Presidência da República, missão que afirmou ter recebido do pai Jair Bolsonaro.
Mais cedo nesta quarta-feira, Michelle Bolsonaro publicou vídeo fazendo acusações contra Flávio Bolsonaro. Em dois posts, que juntos somam quase 30 minutos de duração, a ex-primeira-dama narra sua trajetória no PL Mulher, critica o apoio do partido à Ciro Gomes e acusa Flávio de ter a humilhado.
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Michelle fala em "punhalada" e expõe atrito com Flávio Bolsonaro
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro disse ter levado uma “punhalada” e decidiu expor publicamente o atrito que vive há meses com o enteado e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), em vídeo nas redes sociais, nesta quarta-feira (24).
Em aproximadamente 26 minutos de fala em duas postagens nas redes, Michelle discorreu sobre uma série de situações e, especialmente, sobre as articulações estaduais do PL no Ceará.
Neste contexto, ela criticou Flávio Bolsonaro por apoiar, juntamente com o deputado André Fernandes (PL-CE), uma aliança com Ciro Gomes (PSDB), enquanto defende que o PL apoie Eduardo Girão (Novo) ao governo estadual no primeiro turno.
"Vi as postagens do Flávio contra mim nas redes sociais. Palavras duras tomaram tão agressivo, defendendo André Fernandes e em consequência, apoiando a aliança com o homem que chamou a ele a mãe e a seus irmãos de corruptos e de ovos de serpentes nazistóides", disse a ex-primeira-dama.
Michelle avaliou que Ciro foi um dos principais responsáveis pelo processo que levou à inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas que, mesmo assim, “como se nada tivesse acontecido, os filhos defendem uma aliança com o candidato que deixou o pai deles, o meu marido, inelegível e humilhado”.
A ex-primeira-dama ressaltou que não abriria mão de seus valores e, por isso, se declarou contra qualquer apoio a Ciro, ainda no final do ano passado. Na época, a posição de Michelle gerou reações contrárias e críticas dos filhos de Bolsonaro, inclusive Flávio.
Nas redes sociais, Michelle, então, relatou não ter sido procurada por Flávio antes sobre o assunto: “Peguei o telefone, procurei mensagens do Flávio, procurei uma ligação perdida, procurei qualquer sinal de que ele tinha tentado falar comigo antes de falar para o Brasil, não tinha nada. Eu fiquei triste, porque eu não imaginava que eles teriam essa reação".
"Eu redigi uma nota, disse que lamentava se eles se sentiam afrontados, que respeitava a opinião deles, pedi perdão, mas disse também e vou repetir aqui, que eu tenho direito de achar errado uma aliança com quem sempre se declarou inimigo do pai deles. Tenho o direito de ser coerente com os valores que eu aqui acredito. Eu não vou trocar valores por pragmatismo político oportunista”, continuou.
Em seguida, Michelle reforçou ser contra qualquer apoio bolsonarista à pré-candidatura de Ciro Gomes a governador do Ceará e ressaltou uma postura supostamente desrespeitosa de Flávio perante ela. A fala de Michelle, inclusive, é percebida como resposta a críticas de que não estaria se empenhando o suficiente na pré-candidatura de Flávio ao Planalto.
“Também não estou impedindo ninguém de fazê-lo, mas acho errado fazê-lo no primeiro turno. Ciro não terá meu apoio nunca e na minha opinião não deveria ter de ninguém da direita que apoia Bolsonaro. Mas essa é apenas a minha opinião e eu tenho direito de tê-la. Voltando ao Flávio, telefonei para ele, tentei algumas vezes, mas ele não atendeu. Algumas horas depois da postagem, ele retornou a ligação.”
“Mas sinceramente, para falar o que ele [Flávio] me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone e eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem.”
“Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante e então eu me recolhi. Fiquei na minha e assim permaneço.” De acordo com Michelle, Flávio não a procurou mais desde aquele dia, e nem ela a ele.
Na fala, Michelle então critica pessoas que estariam plantando informações falsas e disse que nunca cobrou ou condicionou qualquer apoio a Flávio a um pedido de desculpas públicas.
“Primeiro, eu nunca pedi, cobrei ou condicionei desculpas públicas de ninguém. Não preciso disso. Eu já liberei o perdão faz muito tempo”, declarou.
Ainda assim, ela afirma que “perdoar não é o mesmo que esquecer o querer continuar o relacionamento”. “São coisas completamente diferentes. Posso perdoar a alguém de coração e ainda assim reconhecer que aquela relação não é saudável. Perdão é libertação, não é obrigação. Segundo, não estou exigindo que se desfaça nenhuma aliança no Ceará, mas que adie para o segundo turno. Eu sou contra ela, mas essa é apenas a minha convicção.”
No vídeo, Michelle disse que Flávio vai à sua casa e do pai “toda semana” e, “mais de uma vez, se ele realmente quisesse falar comigo, já teria falado”. “Se considerasse necessário o meu apoio, já teria conversado. Estou na minha, continuarei recolhida.”
Ela ainda nega que tenha vontade de ser candidata à Presidência e que sua prioridade é cuidar da família.
Michelle é tida como pré-candidata ao Senado, embora não tenha oficializado essa intenção. A ex-primeira-dama disse que, quando for o momento e quando for decidido “o que quer que seja”, ela mesma falará sobre sua participação nas eleições.
Já se encaminhando para o final do vídeo, em meio a citações de críticas de Flávio a ela, Michelle declara que, “mesmo depois de todas essas coisas, eu abençoei a escolha do Jair e a pré-candidatura do Flávio”.
Ao longo do vídeo, Michelle também critica o que seria um grupo de pessoas próximas no exterior que “continua agindo e me atacando todos os dias”. Segundo ela, sem citar nomes, “alguns desses influenciadores estavam nos EUA”.
“Alguns deles até continuam aparecendo em fotos com o Flávio. Eles fazem postagens e vídeos retirando do meu nome o sobrenome Bolsonaro, na tentativa de me atingir. Não me atingem, eu sei quem eu e o meu marido somos.”


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